Nosso corpo está em nós, mas, por mais que tal pareça real, nós não estamos no corpo. O corpo aparece como ideia, como algo percebido. Quando acordamos de manhã, é o corpo que desperta em nós, não o contrário!
Jean Klein
Tradução livre do blog
terça-feira, 12 de novembro de 2013
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
A Natureza da Realidade!
Na sua essência, antes de terem sido contaminadas pela imensamente egoísta capacidade que o ser humano tem para distorcer as coisas segundo seus próprios interesses, todas as religiões, de todos os tempos e de todas as localidades, apontam primária e objetivamente para o fato de que nós, talvez, estejamos percebendo a realidade de maneira equivocada.
O Zen, há quase dois mil anos, afirma que nós estamos "perdendo o óbvio". Jesus, de sua parte, afirma com veemência: conheçam a verdade e a verdade os libertará. No advaita Vedanta, diz-se que toda a realidade manifesta, da forma como nós a temos percebido, é "Mahamaya", que pode ser traduzida como a Grande Ilusão. Antes de Sócrates, na Grécia, Parmênides postulava que: "a linguagem é o rótulo das coisas ilusórias". E, por fim, na raiz da sua etimologia, a palavra "pecado" não tem absolutamente o significado que lhe tem sido dado. De origem grega, ela quer muito mais se referir a algo semelhante a um erro de percepção, a uma espécie de equívoco, do que propriamente ao cometimento de uma falta ou à violação de alguma regra.
Teria o ser humano, em algum momento, perdido a capacidade de perceber o óbvio? Seria isto possível?Estariam todas estas sabedorias apontando para o fato de que, de certa forma, o ser humano deixou de perceber alguma coisa? Teria esta afirmação alguma relação com a alegoria bíblica do homem "caindo" do paraíso?
Na verdade, sim! É para isto que todas estas sabedorias apontam: para o fato de que, há milênios, o ser humano se enredou numa teia de conceitos, significados e ideias que, de certa forma, fizeram com que ele passasse a experimentar uma realidade mental e conceitualmente construída, superposta, por assim dizer, à realidade verdadeira.
E a causa desta perdição foi que, maravilhado com o mundo, com os objetos e entidades que a imaginação era capaz de criar, o Ser, que é a essência de todos nós, voltou a sua atenção "para fora", perdendo-se de si mesmo.
E a sedução exercida por este "lá fora", por esta ideia ilusória de um mundo, é tal e tamanha que, embora ela nos venha expondo a um constante e recorrente sofrimento existencial, dela nós não conseguimos nos desvencilhar, o que poderia ocorrer apenas se tivéssemos a coragem de nos debruçar sobre todos os inúmeros dogmas e todas as incontáveis crenças - aparentemente tão inquestionáveis - que têm criado, apenas no nível da mente e da imaginação, uma realidade inteiramente conceitual.
Mas, o homem não se arrisca a tanto. Afinal, o olhar para este emaranhado de crenças, no qual nós fomos ensinados a acreditar tão inquestionavelmente, é algo que requer imensa coragem e enorme disposição, já que tomar esta atitude significa romper com o senso comum, o que nos expõe à desconfortável possibilidade de que, por assim dizer, toda a nossa crença de mundo e de realidade desmorone.
Ainda que se aponte para o fato de que a sua imaginação possa o estar enredando num equívoco, você não quer abrir mão da (falsa) sensação de segurança que o "conhecido" lhe garante e proporciona.
Veja, por exemplo! Você se diverte imensamente e até sente certa compaixão quando observa as crianças esperando pelo Papai Noel. Mas, do ponto de vista puramente experimental, qual a diferença entre a crença que as crianças têm no Papai Noel e a crença que você tem tido em todos os santos, demônios, divindades, espíritos, orixás e coisas do gênero? Todos eles habitam apenas as projeções criadas pela sua imaginação.
Agora, para além disto, observe quanto da sua percepção da realidade também tem se baseado exclusivamente na sua imaginação, nas suas crenças! Qual seria a sua percepção da realidade se você não tivesse a capacidade de imaginar?
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
Quem Você Realmente É?
Qualquer pensamento que você tenha sobre si mesmo, seja
grande ou pequeno, não é o que você é! É simplesmente um pensamento! A verdade
de quem você é não pode ser pensada, porque ela é a fonte de todos os
pensamentos.
O que você é, realmente, não pode ser nominado ou definido.
Palavras como alma, luz, deus, verdade, ego, consciência, inteligência
universal ou divindade são ao mesmo tempo capazes de evocar o êxtase da
verdade, mas, totalmente inadequadas como descrição da imensidão do que você
realmente é!
Independente de como você se identifica: criança,
adolescente, mãe, pai, uma pessoa mais velha, uma pessoa saudável, uma pessoa
doente, uma pessoa que sofre ou uma pessoa iluminada, sempre, por trás disso
tudo, está a verdade sobre você. Ela não é estranha a você! Está tão próxima
que você não consegue acreditar. A verdade de quem você, é intocada por
qualquer conceito de quem você é! A verdade de quem você é, é livre de tudo
isso! Você já é livre. E tudo o que bloqueia a compreensão e a realização desta
liberdade é seu apego a alguma ideia sobre quem você é. Mas, este pensamento
não impede que você seja a verdade que você é, pois você já é isto. Ele apenas
o afasta da compreensão sobre quem você é.
Eu o convido a deixar que a sua atenção mergulhe naquilo que
sempre esteve presente, esperando abertamente por sua própria auto realização.
Quem é você, realmente?
Você é alguma imagem que aparece em sua mente? Você é alguma
sensação que aparece em seu corpo? Você é alguma emoção que atravessa a sua
mente e o seu corpo? Você é algo que
alguém disse que você é? Ou é uma revolta contra algo que alguém disse que você
é? Estas são algumas das muitas vias erradas de identificação. Todas estas
definições vêm e vão! Nascem e depois morrem! E a verdade de quem você é não
vem, nem vai. Ela está presente antes do nascimento, durante toda a vida e
depois da morte.
Descobrir a verdade de quem você é não é apenas possível: é
seu direito de nascença! Qualquer ideia de que esta descoberta não seja para
você, de que agora não é o momento, de que você não é digno ou de que você não
está pronto, todas elas são apenas truques da mente! Está na hora de investigar
este pensamento “eu” e perceber a sua real validade! Nesta investigação, ocorre
uma abertura para a consciência inteligente que você é, finalmente reconhecer a
si mesma!
A pergunta mais importante que você pode fazer a si mesmo é:
quem sou eu? De certa forma, esta tem sido uma curiosidade implícita ao longo
de toda a sua vida.Toda atividade, toda ação, seja ela individual ou coletiva,
na sua raiz, é motivada por uma busca de auto definição. Tipicamente, você busca
e espera por uma resposta positiva para esta pergunta, sempre fugindo e se
esquivando de uma resposta negativa. E quando esta questão se torna explícita,
o momento e o poder da pergunta direcionam a busca pela resposta, que é aberta,
viva e cheia de insights cada vez mais profundos!
Você certamente já experimentou tanto o sucesso quanto o
fracasso! Após um certo estágio, cedo ou tarde, você compreende que o que você
é, independentemente da definição, não é satisfatório. E se esta questão não
for verdadeiramente respondida, e não apenas convencionalmente respondida, você
continuará com a fome deste saber. Porque, independente de como você tenha sido
definido, nenhuma definição pode trazer uma certeza duradoura. E o momento em
que se percebe que nenhuma resposta jamais satisfez esta dúvida, ele é crucial.
Ele é muitas vezes definido como o amadurecimento espiritual.
Em seu poder e simplicidade, a pergunta “quem sou eu” lança
a mente de volta à raiz da identificação pessoal, à suposição básica “eu sou
alguém” e, ao invés de simplesmente aceitar esta suposição como uma verdade
absoluta, você pode investigar mais profundamente.
Não é difícil constatar que esta suposição básica “eu sou
alguém” cria uma dependência para muitos tipos de estratégias: ser “alguém”
melhor, ser “alguém” mais protegido, “alguém com mais prazer, mais conforto,
mais satisfação! Mas, quando este pensamento muito básico é questionado, a
mente encontra o “eu”, que se assume como algo separado daquilo que ela vinha
procurando. Isto é chamado de auto inquirição.
A pergunta mais básica: quem sou eu? É justamente a mais
negligenciada. Passamos a maior parte de nossos dias dizendo a nós mesmos e aos
outros que somos alguém importante, ou alguém totalmente sem importância, ou
alguém grande, ou aluem insignificante. Sem nunca realmente questionar esta
suposição mais básica. Quem é você, realmente?
Quando você volta a sua atenção para a pergunta “quem sou
eu?”, talvez você se depare com aquela entidade que tem o seu rosto e o seu
corpo, Mas, quem está ciente desta entidade? Você pode ser um objeto da sua
própria consciência? Ou você é a consciência do objeto? A identificação
equivocada de si mesmo como sendo algum objeto da percepção leva ao extremo
prazer, mas, invariavelmente, à extrema dor! Mas, quando você está disposto a
romper com as identificações, e descobre direta e completamente que é a própria
percepção, a própria consciência, a busca por si mesmo através do pensamento termina!
Não há absolutamente nenhuma entidade ali! Há apenas o indefinível e ilimitado
reconhecimento se si mesmo, como inseparável de qualquer outra coisa. Você é
livre! Você é completo! Você é infinito!
Gangaji
(tradução livre do blog)
Gangaji
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