domingo, 6 de abril de 2014

Compreender o caminho do Buda é compreender a si mesmo;

Compreender a si mesmo é esquecer de si mesmo;

Esquecer de si mesmo é estar identificado com todas as coisas;

Estar identificado com todas as coisas é transcender corpo e mente de si e dos outros;

Eihei Dogen (1200/1253)

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Não Vos Preocupeis

Portanto eu digo: não se preocupem com sua própria vida, quanto ao que comer ou beber; nem com seu próprio corpo, quanto ao que vestir. Não é a vida mais importante que a comida, e o corpo mais importante que a roupa? Observem as aves do céu: elas não semeiam, nem colhem nem, armazenam em celeiros; E, contudo, o Pai celestial as alimenta. Não têm vocês muito mais valor do que elas? Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja à sua vida? Por que vocês se preocupam com roupas? Vejam como crescem os lírios do campo. Eles não trabalham nem tecem. Contudo, eu digo que nem Salomão, em todo o seu esplendor, vestiu-se como um deles. Se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, não vestirá muito mais a vocês, homens de pequena fé? Portanto, não se preocupem, dizendo: 'Que vamos comer?' ou 'Que vamos beber?' ou 'Que vamos vestir?' Pois os pagãos é que correm atrás dessas coisas; mas o Pai celestial sabe que vocês precisam delas. Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas serão acrescentadas a vocês. Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu próprio mal.

Mateus, 6, 25/34

Um ensinamento típico da sabedoria Advaita, apontando o momento presente como única realidade possível, dado por um dos maiores mestres da não dualidade: Jesus Cristo.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

"Se vocês forem capazes de parar o ego (se é que posso empregar esta expressão) durante dez segundos, o Absoluto estará aí. O que subentende, evidentemente, que vocês nunca puderam parar o ego. Vocês podem transformá-lo e viver o Si. O Si que pode representar, de qualquer maneira, uma realização do ego, mas que, como disse no meu preâmbulo, não vos permitirá jamais serem o Absoluto. No Abandono do si, ele mesmo, há o basculamento, há o Absoluto que vos encontra. É preciso, portanto, passar do «eu sou», ou do Si, ao não «eu sou» e ao não Si."

Sri Nisargadatta Maharaj
A “Existência” básica é Brahman apenas. Aquele que diz que Brahman passou por alguma mudança é um estúpido. Brahman não tem pais, não pode ser diminuído e nem aumentado. Ateísmo e Teísmo não têm lugar nele, Ele é sempre como é. Apenas o que é criado tem crescimento e modificação. Se você toma banho nas águas de um rio, o rio não perde nada. A água retorna para o mesmo rio. Os estados de infância, juventude e a velhice são experimentados apenas pelo corpo. Brahman não se torna uma criança, um jovem ou um velho. A pessoa não é nem homem nem mulher, embora esteja no corpo, sua existência é diferente dos estados do corpo. Saiba que você é Paramatman. Mas lembre-se bem que é Ele que está aí e não “você”. Quando isso é confirmado o objetivo é alcançado.

Shri Maharaj Siddharameshwar

domingo, 19 de janeiro de 2014

A auto Preservação



Se observar bem, você se dará conta de que mais de 90% da sua atividade mental é dedicada à preservação da imagem que você tem
de si mesmo. Em outras palavras, entre todos os pensamentos que você tem, tirando o pensar puramente técnico - que é aquele utilizado para fazer uma operação aritmética, por exemplo - todo o restante está compulsiva e permanentemente voltado para a construção de idealizações e projeções de um "você" maior e mais feliz ou para a o planejamento de estratégias de auto defesa, ou seja, meios de evitar a dor e fugir daquilo que, conceitualmente, você classifica como mau, ruim ou indesejável.

E este modo de ser, baseado no pensar, ele é a expressão máxima do chamado egoísmo. Isto mostra que o pensar compulsivo é filho do medo que, por sua vez, é filho do ego. Agora, tente imaginar quem seria você e qual seria a sua percepção da realidade se essa necessidade de auto-preservação cessasse neste instante! Quem seria você sem o medo?

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

O Sofrimento

A identificação com este “eu” está na raiz do sofrimento. Quando você escolhe o que você deveria experienciar – você sofre. Quando você escolhe de quem você deveria aprender – você sofre. Quando você está constantemente interpretando como as coisas são ou como deveriam ser, o que você merece e o que não merece – você sofre. Onde quer que haja orgulho, apegos, julgamentos ou desejos – há sofrimento. Quando despertamos da ignorância para a nossa verdadeira natureza – o sofrimento é inexistente.

Mooji

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Encontre a Si Mesmo

Todos esses seres e os papéis que eles estão desempenhando, em cada momento, estão acontecendo pela vontade Divina. Você vai para qualquer cidade, qualquer vila, qualquer lugar… é preciso alguns papéis para manter uma vila existindo – como uma padaria, um sapateiro, um alfaiate, um padre, membros da família. E quem é que provoca essas ações? São apenas papéis que aparecem.

Você nesse corpo sente uma urgência, uma atração de se mover em uma direção. Você tem o sentimento de que você tomou essa decisão, mas o anseio veio antes. Apenas quando ele veio para o campo da consciência, então algo diz “eu acho que vou fazer isso”. Antes de um pensamento ocorrer para você, você estava consciente dele? Você solicitou que certo pensamento viesse? Como um item “para levar”? 

Além disso, os pensamentos são aleatórios. Você está meditando… “Paz…” E então vem “pizza”! [risos] E depois disso, “ah, sim, eu tenho que enviar um email…” Eles são aleatórios. Mas assim que eles surgem, alguns pensamentos da mesma frequência se juntam e o processo de pensar começa. Na verdade é totalmente automático, mas por causa da identidade de que “isso sou eu”, alguns tipos de pensamentos se tornam sazonais – eles vão continuar voltando – porque eles ganham serviço de cinco estrelas. [risos]

Esses são os pensamentos favoritos – e eu não digo “favoritos” porque você gosta deles, eles podem ser favoritos porque você os odeia. Mas eles têm alguma afinidade com a maneira que você atualmente pensa sobre você mesmo. E então um tipo de construção de identidade surge. Mas isso não é algo fixo, é como um auto-retrato constantemente em mutação. Porque ele surge no campo da mudança. E de alguma forma, aquilo que nós gostamos na esfera da mudança nós gostaríamos de tornar fixo – o que é impossível.

A natureza do Ser é alegria e paz. Mas quando o ser se esquece de si mesmo, então ele busca paz e alegria fora. Tenta obter isso dos relacionamentos, das atividades, dos pensamentos. Mas esse tipo de alegria não pode durar.

Então primeiro, encontre a si mesmo. Chegue ao completo reconhecimento, à clareza irrefutável, e então você pode desfrutar dessa atividade. Então o amor estará fluindo a partir de você. E quando você vê outros seres, você não se importará nas diferenças das estórias, você vai olhar diretamente para seus seres, e saber que vocês são Um. Isso não é apenas comunicação, mas comunhão."


Mooji

Retirado de Advaita Livros  

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

A Raiz do Medo

Visitante: Por que nós temos tanto medo em nossas vidas? Por que confiar em cada momento é tão difícil?

Papaji: Se você vive no ego, você automaticamente monta situações de "eu e o resto do mundo". Para defender o ego, você deverá ser egoísta e você deverá temer os outros porque eles todos ameaçam o seu bem estar. Como você pode confiar em qualquer um nessa situação?


Papaji

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Identidade e Consciência



Uma das mais belas descrições do indescritível.
Do amigo Pedro Fonseca.

"Os outros têm de ti apenas uma representação. Aos outros tu apareces como objeto. Mas tu, a ti mesmo, vives-te como sujeito. Aquilo que tu és verdadeiramente é a vivência subjetiva que tens de ti mesmo como sujeito de percepções e experiências. Tu és Aquele que vê e não aquilo que é visto. A tua dimensão como sujeito jamais poderá surgir no campo de percepção do outro. O outro apenas pode vivenciar a sua própria subjetividade que a ti é invisível. Somos todos invisíveis uns para os outros! É só ao nível da subjetividade interna que a realidade ultima é experienciada.

Em ultima instância apenas a consciência é real, pois a consciência é a condição de toda a experiência. 


A pessoa separada não existe. A sensação de sermos indivíduos separados é ilusória. Origina-se da identificação com o corpo e a história. Tu não és diferente de mim. Somos apenas diferentes ondas de um mesmo oceano de existência. Todas as distinções aparentes são emanações de um único campo universal de inteligência. Não existe outra realidade além da consciência única da qual todos participamos. Dessa linha invisível, subjacente a todos esses centros de percepção que emergem como os nossos corpos aparentes. Não existe nada a distinguir e a separar duas gotas de água que se elevam do oceano. E todo o oceano se manifesta em cada gota!"

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

A Grande Sabedoria

A grande sabedoria vê tudo num só. A pequena sabedoria multiplica-se entre as muitas partes.

Quando o corpo adormece, a alma envolve-se no UNO. Quando o corpo desperta, os sentidos abertos começam a funcionar. Ressoam a cada encontro com os afazeres vários da vida, as dificuldades do coração.

Os homens estão bloqueados, perplexos, perdidos na dúvida. Pequenos temores devoram a paz do seu coração. Grandes temores os tragam totalmente. Flechas vão de encontro ao alvo: acertam e erram, certo e errado. A isto é que os homens chamam discernimento, decisão.

Seus pronunciamentos são tão definitivos, como os tratados entre imperadores. Ah, eles alcançam o que desejam! Mas, mesmo assim, seus argumentos esmorecem mais rápido e mais fracos que folhas mortas no outono e no inverno.

Suas conversas fluem como urina, para nunca mais se recomporem. Ficam, por fim, bloqueados, limitados e amordaçados. Obstruídos como velhos canos. A mente falha, nunca mais verá a luz.

O prazer e a raiva, a tristeza e a alegria, esperança e perdão, mudança e estabilidade, fraqueza e firmeza, impaciência e preguiça: todos são sons da mesma flauta. Todos são cogumelos do mesmo úmido mofo.

Dia e noite seguem-se um ao outro e vêm até nós, sem vermos como eles brotam.

Basta! Basta!

Cedo ou tarde encontramos o “quê”, do qual todos “estes” crescem! Se não houvesse o “quê”, não haveria o “isto”! Se não houvesse o “isto”, nada haveria com que estas cordas tocassem.


Até aí podemos chegar. Mas, como compreender a causa de tudo isso?Pode-se supor o verdadeiro governante por detrás de tudo. Que tal força opera, eu acredito. Não posso ver sua forma. Ela age, mas, é sem forma.

Chuang Tzu

Extraído de: A Via de Chuang Tzu. Thomas Merton. Editora Vozes

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Conhece-te!

Nosso corpo está em nós, mas, por mais que tal pareça real, nós não estamos no corpo. O corpo aparece como ideia, como algo percebido. Quando acordamos de manhã, é o corpo que desperta em nós, não o contrário! 

Jean Klein






Tradução livre do blog

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

A Natureza da Realidade!



Na sua essência, antes de terem sido contaminadas pela imensamente egoísta capacidade que o ser humano tem para distorcer as coisas segundo seus próprios interesses, todas as religiões, de todos os tempos e de todas as localidades, apontam primária e objetivamente para o fato de que nós, talvez, estejamos percebendo a realidade de maneira equivocada.

O Zen, há quase dois mil anos, afirma que nós estamos "perdendo o óbvio". Jesus, de sua parte, afirma com veemência: conheçam a verdade e a verdade os libertará. No advaita Vedanta, diz-se que toda a realidade manifesta, da forma como nós a temos percebido, é "Mahamaya", que pode ser traduzida como a Grande Ilusão. Antes de Sócrates, na Grécia, Parmênides postulava que: "a linguagem é o rótulo das coisas ilusórias". E, por fim, na raiz da sua etimologia, a palavra "pecado" não tem absolutamente o significado que lhe tem sido dado. De origem grega, ela quer muito mais se referir a algo semelhante a um erro de percepção, a uma espécie de equívoco, do que propriamente ao cometimento de uma falta ou à violação de alguma regra.

Teria o ser humano, em algum momento, perdido a capacidade de perceber o óbvio? Seria isto possível?Estariam todas estas sabedorias apontando para o fato de que, de certa forma, o ser humano deixou de perceber alguma coisa? Teria esta afirmação alguma relação com a alegoria bíblica do homem "caindo" do paraíso?

Na verdade, sim! É para isto que todas estas sabedorias apontam: para o fato de que, há milênios, o ser humano se enredou numa teia de conceitos, significados e ideias que, de certa forma, fizeram com que ele passasse a experimentar uma realidade mental e conceitualmente construída, superposta, por assim dizer, à realidade verdadeira.

E a causa desta perdição foi que, maravilhado com o mundo, com os objetos e entidades que a imaginação era capaz de criar, o Ser, que é a essência de todos nós, voltou a sua atenção "para fora", perdendo-se de si mesmo.

E a sedução exercida por este "lá fora", por esta ideia ilusória de um mundo, é tal e tamanha que, embora ela nos venha expondo a um constante e recorrente sofrimento existencial, dela nós não conseguimos nos desvencilhar, o que poderia ocorrer apenas se tivéssemos a coragem de nos debruçar sobre todos os inúmeros dogmas e todas as incontáveis crenças - aparentemente tão inquestionáveis - que têm criado, apenas no nível da mente e da imaginação, uma realidade inteiramente conceitual. 

Mas, o homem não se arrisca a tanto. Afinal, o olhar para este emaranhado de crenças, no qual nós fomos ensinados a acreditar tão inquestionavelmente, é algo que requer imensa coragem e enorme disposição, já que tomar esta atitude significa romper com o senso comum, o que nos expõe à desconfortável possibilidade de que, por assim dizer, toda a nossa crença de mundo e de realidade desmorone. 

Ainda que se aponte para o fato de que a sua imaginação possa o estar enredando num equívoco, você não quer abrir mão da (falsa) sensação de segurança que o "conhecido" lhe garante e proporciona.

Veja, por exemplo! Você se diverte imensamente e até sente certa compaixão quando observa as crianças esperando pelo Papai Noel. Mas, do ponto de vista puramente experimental, qual a diferença entre a crença que as crianças têm no Papai Noel e a crença que você tem tido em todos os santos, demônios, divindades, espíritos, orixás e coisas do gênero? Todos eles habitam apenas as projeções criadas pela sua imaginação.

Agora, para além disto, observe quanto da sua percepção da realidade também tem se baseado exclusivamente na sua imaginação, nas suas crenças! Qual seria a sua percepção da realidade se você não tivesse a capacidade de imaginar?

Tenha coragem de questionar todas aquelas verdades que lhe vêm sendo impostas como absolutas.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Quem Você Realmente É?

Qualquer pensamento que você tenha sobre si mesmo, seja grande ou pequeno, não é o que você é! É simplesmente um pensamento! A verdade de quem você é não pode ser pensada, porque ela é a fonte de todos os pensamentos.

O que você é, realmente, não pode ser nominado ou definido. Palavras como alma, luz, deus, verdade, ego, consciência, inteligência universal ou divindade são ao mesmo tempo capazes de evocar o êxtase da verdade, mas, totalmente inadequadas como descrição da imensidão do que você realmente é!

Independente de como você se identifica: criança, adolescente, mãe, pai, uma pessoa mais velha, uma pessoa saudável, uma pessoa doente, uma pessoa que sofre ou uma pessoa iluminada, sempre, por trás disso tudo, está a verdade sobre você. Ela não é estranha a você! Está tão próxima que você não consegue acreditar. A verdade de quem você, é intocada por qualquer conceito de quem você é! A verdade de quem você é, é livre de tudo isso! Você já é livre. E tudo o que bloqueia a compreensão e a realização desta liberdade é seu apego a alguma ideia sobre quem você é. Mas, este pensamento não impede que você seja a verdade que você é, pois você já é isto. Ele apenas o afasta da compreensão sobre quem você é.

Eu o convido a deixar que a sua atenção mergulhe naquilo que sempre esteve presente, esperando abertamente por sua própria auto realização. Quem é você, realmente?

Você é alguma imagem que aparece em sua mente? Você é alguma sensação que aparece em seu corpo? Você é alguma emoção que atravessa a sua mente e o seu corpo?  Você é algo que alguém disse que você é? Ou é uma revolta contra algo que alguém disse que você é? Estas são algumas das muitas vias erradas de identificação. Todas estas definições vêm e vão! Nascem e depois morrem! E a verdade de quem você é não vem, nem vai. Ela está presente antes do nascimento, durante toda a vida e depois da morte.

Descobrir a verdade de quem você é não é apenas possível: é seu direito de nascença! Qualquer ideia de que esta descoberta não seja para você, de que agora não é o momento, de que você não é digno ou de que você não está pronto, todas elas são apenas truques da mente! Está na hora de investigar este pensamento “eu” e perceber a sua real validade! Nesta investigação, ocorre uma abertura para a consciência inteligente que você é, finalmente reconhecer a si mesma!

A pergunta mais importante que você pode fazer a si mesmo é: quem sou eu? De certa forma, esta tem sido uma curiosidade implícita ao longo de toda a sua vida.Toda atividade, toda ação, seja ela individual ou coletiva, na sua raiz, é motivada por uma busca de auto definição. Tipicamente, você busca e espera por uma resposta positiva para esta pergunta, sempre fugindo e se esquivando de uma resposta negativa. E quando esta questão se torna explícita, o momento e o poder da pergunta direcionam a busca pela resposta, que é aberta, viva e cheia de insights cada vez mais profundos!

Você certamente já experimentou tanto o sucesso quanto o fracasso! Após um certo estágio, cedo ou tarde, você compreende que o que você é, independentemente da definição, não é satisfatório. E se esta questão não for verdadeiramente respondida, e não apenas convencionalmente respondida, você continuará com a fome deste saber. Porque, independente de como você tenha sido definido, nenhuma definição pode trazer uma certeza duradoura. E o momento em que se percebe que nenhuma resposta jamais satisfez esta dúvida, ele é crucial. Ele é muitas vezes definido como o amadurecimento espiritual.

Em seu poder e simplicidade, a pergunta “quem sou eu” lança a mente de volta à raiz da identificação pessoal, à suposição básica “eu sou alguém” e, ao invés de simplesmente aceitar esta suposição como uma verdade absoluta, você pode investigar mais profundamente.

Não é difícil constatar que esta suposição básica “eu sou alguém” cria uma dependência para muitos tipos de estratégias: ser “alguém” melhor, ser “alguém” mais protegido, “alguém com mais prazer, mais conforto, mais satisfação! Mas, quando este pensamento muito básico é questionado, a mente encontra o “eu”, que se assume como algo separado daquilo que ela vinha procurando. Isto é chamado de auto inquirição.

A pergunta mais básica: quem sou eu? É justamente a mais negligenciada. Passamos a maior parte de nossos dias dizendo a nós mesmos e aos outros que somos alguém importante, ou alguém totalmente sem importância, ou alguém grande, ou aluem insignificante. Sem nunca realmente questionar esta suposição mais básica. Quem é você, realmente?

Quando você volta a sua atenção para a pergunta “quem sou eu?”, talvez você se depare com aquela entidade que tem o seu rosto e o seu corpo, Mas, quem está ciente desta entidade? Você pode ser um objeto da sua própria consciência? Ou você é a consciência do objeto? A identificação equivocada de si mesmo como sendo algum objeto da percepção leva ao extremo prazer, mas, invariavelmente, à extrema dor! Mas, quando você está disposto a romper com as identificações, e descobre direta e completamente que é a própria percepção, a própria consciência, a busca por si mesmo através do pensamento termina! Não há absolutamente nenhuma entidade ali! Há apenas o indefinível e ilimitado reconhecimento se si mesmo, como inseparável de qualquer outra coisa. Você é livre! Você é completo! Você é infinito!

Gangaji

(tradução livre do blog)

domingo, 25 de agosto de 2013

O Mistério da Identidade

Perguntas-me quem sou! Como poderei dar-te uma resposta que seja honesta e verdadeira? Uma resposta que não te induza em ilusão? Que corresponda adequadamente àquilo que sou? Quando me fazes uma pergunta, esperas uma resposta. E a minha resposta será uma asserção verbal. Esperas uma definição daquilo que sou. Mas o que é uma definição? Toda a definição fragmenta e separa. Procura limitar e circunscrever. Quando defino um objecto, uma coisa, seja o que for, faço-o para o distinguir de outras coisas e objectos. Quando defino, digo não apenas o que a coisa é, mas também o que ela não é. Retiro-a de qualquer confusão com outras coisas quaisqueres. Toda a forma de eu me definir, será uma forma de me limitar. E sempre que eu me limitar, estarei a cometer um erro. Ao dizer que sou algo, estou a dizer também que não posso ser outra coisa qualquer. A definição exclui, deixa ficar de fora muito mais do que aquilo que abarca dentro. Por isso a definição é uma injustiça e uma fraude que cometes contigo mesmo. Porque é permanente a capacidade de te reinventares a ti próprio. Jamais poderás reter dentro de um aposento o sol que entra pela soleira da porta.

A pergunta: "o que sou?", não tem uma resposta verbal. Apenas o silêncio pode captar a tua essência. Apenas do silêncio te pode vir a resposta. E essa resposta é sentida com todo o teu ser e não apenas com o intelecto. O intelecto apenas se alimenta de palavras e de sombras. Aquilo que tu és inclui, ultrapassa e transcende qualquer resposta que o intelecto possa elaborar. Procurar que seja o intelecto a produzir a resposta é como querer pegar em ti mesmo ao colo ou querer introduzir a casa através da janela. Mesmo que achasses a definição perfeita e as palavras corretas, isso não passaria ainda de uma seta que aponta para algo que ela não contem e nela não podes encontrar. Não podes sentir a frescura da água mergulhando simplesmente no mapa de um rio. Não podes sentir o calor do fogo se a lareira de que te aproximas não passa de uma pintura numa tela. Podes fazer uma ilustração representando o sol, mas se a pendurares na parede ela não iluminará a sala. Aquilo que tu és deve permanecer um mistério não classificável! Um "Nada" que é um potencial infinito de possibilidades e metamorfoses sempre imprevisível!

Do amigo Pedro Fonseca

www.jardimdepicuro.blogspot.com

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Não se pode compreender o eterno com uma mente produto do tempo

Pergunta: Pode o passado dissolver-se repentinamente, ou é necessário, invariavelmente, um certo tempo?

Krishnamurti: Nós somos o resultado do passado. Nosso pensamento se baseia no dia de ontem e em muitos milhares de dias passados. Somos o resultado do tempo, e todas as nossas reações, todas as nossas atitudes no presente, representam o efeito cumulativo de muitos milhares de momentos, incidentes e experiências. Por consequência, para a maioria de nós, o passado é o presente, e isso se faz um fato inegável. Vocês — seus pensamentos, suas ações, suas reações — são o resultado do passado. Ora bem, o interrogante deseja saber se o passado pode ser apagado imediatamente, isto é, não dentro de certo tempo, porém imediatamente; ou esse passado cumulativo exige algum tempo, até que a mente esteja livre do presente? É importante que se compreenda a pergunta. Isto é, já que cada um de nós é resultado do passado, com um fundo de inumeráveis influências, a variarem e a se modificarem constantemente, é possível apagar-se esse fundo sem se passar pelo processo do tempo? Está claro isso? A pergunta está clara, sem dúvida. 

Pois bem: o que é o passado? O que entendemos por passado? Não nos referimos, naturalmente, ao passado cronológico, ao segundo que precedeu, não nos referimos a isso, que é coisa definidamente acabada. Referimos-nos, é claro, é claro, àsexperiências acumuladas, às reações, lembranças, tradições e conhecimentos acumulados, ao nosso depósito subconsciente de inumeráveis pensamentos, sentimentos, influências e reações. Com uma tal bagagem não é possível compreender a realidade, porquanto, necessariamente, a realidade não pertence ao tempo: ela é eterna. Por isso, não se pode compreender o eterno com uma mente que é produto do tempo. O interrogante deseja saber se é possível libertar-se a mente, ou se é possível que a mente, que é resultado do tempo, deixe de existir de súbito; ou se é necessário que se proceda a uma longa série de exames e análises para, desse modo, libertar-se a mente de suas acumulações. Vocês percebem a dificuldade da questão.

Ora, a mente é o nosso cabedal de ideias e experiências; a mente é resultado do tempo; a mente é o passado, a mente não é o futuro. Ela pode projetar-se no futuro; e a mente serve-se do presente como uma passagem para futuro; por conseguinte, o que quer que faça, seja qual for a sua atividade — sua atividade futura, sua atividade presente, sua atividade passada — ela está sempre presa na rede do tempo. É possível que a mente deixe de existir de todo, isto é, que o processo do pensamento termine? Ora, é bem claro que há muitas camadas a constituírem a mente; o que chamamos consciência tem muitas camadas, cada uma delas relacionada com a outra, cada uma dependente da outra e atuando reciprocamente uma sobre a outra; e o total de nossa consciência não é apenas o processo de experimentar, mas também o de dar nome, designar, e, ainda, armazenar na memória. Tal é o processo completo da consciência, não é? Ou acham tudo isso difícil demais? 

Quando falamos de consciência, não nos referimos ao processo de experimentar, de dar nome ou designação à experiência e guardá-la, dessa maneira na memória? Tudo isso, certamente, em níveis diferentes, constitui a nossa consciência. E pode a mente, que é resultado do tempo, mediante um processo de análise, chegar, passo a passo, a libertar-se da experiência acumulada? Ou é possível ficar-se inteiramente livre do tempo e contemplar-se diretamente a realidade? Vejamos. Isso lhes interessa? Esta questão, é realmente importante, pois é possível, como logo explicarei, ficarmos livres da experiência acumulada e, assim, renovarmos imediatamente a nossa vida, sem dependermos do tempo, recriar-nos de pronto, independentemente do tempo. Se isso lhes interessa, prosseguirei e verão.

Para ficarmos livres da experiência acumulada, dizem muitos analistas que devemos examinar cada reação, cada complexo, cada empecilho, cada obstáculo, o que necessariamente implica um processo de tempo; e significa, também, que o analista tem de compreender o que está analisando; e que não deve interpretar erroneamente aquilo que está analisando. Porque, se o interpretar falsamente, tal interpretação o levará a conclusões errôneas, com o que se constituirá um novo acervo mental. Percebem? Por consequência, o analista precisa ser capaz de analisar os seus pensamentos, sem o mais leve desvio; e não deve errar só um passo, na sua análise, porquanto, qualquer passo em falso, qualquer conclusão errônea, significa a formação de um novo fundo mental de desordem diferente e em nível diferente. E surge, também, o seguinte problema: Será o analista diferente da coisa analisada? Não representam o analista e a coisa analisada um fenômeno em conjunto? Senhor, não sei se isso lhe interessa, mas, em todo caso, continuarei. 

Indubitavelmente, o indivíduo que experimenta e a sua experiência constituem um fenômeno em conjunto, não são dois processos separados. Vejamos, pois, em primeiro lugar, a dificuldade de analisar. É quase impossível analisar tudo o que se contém em nossa consciência e ficar-se livre, por um tal processo. Porque, afinal de contas, quem é o analista? O analista não é diferente, embora o pense, da coisa analisada. Pode separar-se da coisa analisada, mas sempre faz parte dela. Tenho um pensamento, tenho um sentimento, sinto, por exemplo, cólera. A pessoa que analisa a cólera faz parte, ainda, da cólera; por conseguinte, o analista e a coisa analisada constituem um fenômeno conjunto, e não duas forças ou processos separados. Assim, pois, a dificuldade de nos analisarmos, de nos descerrarmos, de olharmos a nós mesmos, página por página, observando cada reação, cada resposta, é incalculável e exige muito tempo. Não concordam? Portanto, essa não é a maneira indicada para nos libertarmos do complexo de nossos sentimentos. Não é assim? Deve, portanto, haver uma maneira de proceder mais simples e direta; é o que vamos verificar. Mas, para verificarmos, precisamos abrir mão de tudo o que é falso. A análise, pois, não é o processo correto e devemos abandoná-la. Assim como não tomariam um caminho que não leva a parte alguma, assim também cumpre evitarem o processo da análise, que não lhes levará a parte alguma; ele está, por conseguinte, fora do sistema de vocês. 

Que lhes resta, então? Vocês estão habituados somente à análise, não é verdade? O observador que observa — sendo o observador e a coisa observada um fenômeno conjunto — o observador que observa e procura analisar a coisa observada, não conseguirá libertar-se do seu acervo mental. Se assim é — e de fato é — devem abandonar tal processo, não? Não sei se estão compreendendo tudo isso. Ao perceberem que tal método é falso, ao compreenderem, não apenas verbalmente, porém, realmente, que é falso esse processo, o que acontece, então, à análise de vocês? Desistem de analisar, não é verdade? E o que lhe resta então? Atente, senhor, para o que estou dizendo, segui-o, se lhe agrada, e verá com que rapidez um indivíduo pode libertar-se do seu acervo mental. Mas, se a análise não é o método correto, o que lhes resta ainda? Qual é o estado da mente habituada a analisar, pesquisar, perscrutar, dissecar, tirar conclusões, etc.? Se esse processo se detém, qual é o estado da mente de vocês? 

Vocês dizem que a mente fica vazia. Pois bem: continuem a penetrar nessa mente vazia. Por outras palavras, ao deitarem fora, como falso, o que é conhecido, o que acontece com a mente? Afinal de contas, o que foi que deitaram fora? Deitaram fora o falso processo resultante do acervo de ideias e experiências de vocês. Não é assim? De um só golpe, por assim dizer, lançaram fora tudo isso. Por conseguinte, a mente de vocês, depois de rejeitarem o processo analítico e tudo o que ele implica, e de o reconhecerem como falso, fica liberto do "ontem", sendo assim, capaz de observar diretamente, sem passar pelo processo do tempo, com o que se desfaz, imediatamente, do seu acervo de ideias e experiencias.

Senhor, formulemos diferentemente a questão: o pensamento é resultado do tempo, não é verdade? O pensamento é resultado do ambiente, de influências sociais e religiosas, e tudo isso faz parte do tempo. Pois bem: pode o pensamento ficar livre do tempo? Isto é, o pensamento, que é resultado do tempo, pode parar e ficar livre do processo do tempo? O pensamento pode ser controlado, modelado; mas o controle do pensamento está ainda compreendido nos domínios do tempo, e, por isso, a nossa dificuldade é a seguinte: Como pode uma mente, que é resultado do tempo, de milhares de dias passados, livre, instantaneamente, desse complexo acervo de influências? E a verdade é que vocês podem se libertar de tal acervo, não amanhã, porém, no presente, no agora. Isso só é possível ao perceberem aquilo que é falso; e o falso é, obviamente, o processo analítico, e este é a única coisa que temos. Cessando de todo o processo analítico, não mediante compulsão, porém pela compreensão da inevitável falsidade desse processo, verão então que a mente de vocês ficará completamente dissociada do passado — o que não significa que deixarão de reconhecer o passado, porém, que a mente de vocês não terá mais comunhão direta com o passado. Pode, portanto, a mente libertar-se, imediatamente, do passado, e essa dissociação do passado, essa completa libertação do ontem — psicologicamente e não cronologicamente — é possível, e essa é a única maneira de se compreender a realidade. 

Agora, expressando-o de maneira muito simples; quando desejam compreender uma coisa, qual é o estado da mente de vocês? Quando desejam compreender seu filho, quando desejam compreender alguém, ou alguma coisa, qual é o estado da mente de vocês? Não ficam analisando, criticando, julgando o que o outro está dizendo, ficam apenas escutando, não é verdade? A mente de vocês se acha num estado em que o processo do pensamento está inativo, porém muito atento. É exato isso? E essa atenção não se relaciona com o tempo. O que estão é, simplesmente, alertados, passivamente receptivos, mas ao mesmo tempo plenamente atentos; e é só nesse estado que há compreensão. Naturalmente, quando a mente está agitada, interrogando, afligindo-se, dissecando, analisando, não há compreensão. E quando há o desejo ardente de compreender, a mente está evidentemente tranquila. Isto naturalmente vocês terão que experimentar, e não devem aceitá-lo somente porque estou dizendo. Mas é fácil verificar que quanto mais analisam, tanto menos compreendem. Podem compreender certos fatos, certas experiências; mas não é possível esvaziar a consciência de todo o seu conteúdo, por meio do processo analítico. Só é possível isso ao perceberem a falsidade do método analítico. Ao reconhecerem o falso como falso, começarão a ver o que é verdadeiro; e a verdade é que os libertará das influências do passado. Para receber essa verdade, deve a mente desistir de ser analítica, não deve ficar presa ao processo do pensamento, que, evidentemente, é análise, o que nos conduz a outra questão inteiramente diferente, ou seja: O que é meditação correta? — da qual trataremos noutra ocasião. 

Jiddu Krishnamurti — O que te fará feliz? 
23 de janeiro de 1949

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Bem Aventurados os Pobres de Espírito

"Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus;" Mateus V:3

Houve um tempo, há algum tempo, em que, fazendo coro com o que me parecia inteligente, com o que me parecia "normal", eu gostava muito de gente interessante. Nada parecia mais bacana do que conhecer uma pessoa interessante, rica em conhecimento, "com conteúdo" ou, como também se costuma dizer, "pessoas com algo a acrescentar".


Mas, com alguma atenção, foi fácil perceber que as pessoas com muito conteúdo, com elaborados pontos de vista e "muito a acrescentar", no fundo, são as mais pobres. E o são por uma razão muito simples: quanto mais elas têm tais conteúdos, mais elas se confundem com eles e menos elas são elas mesmas.

Hoje, eu aprecio muito mais as pessoas simples, quase e praticamente vazias!! Aquelas que não querem muito, não esperam muito e não almejam muito. Aquelas que têm pouca ou quase nenhuma opinião sobre nada. As que não estão envolvidas em nenhum tipo de ativismo, principalmente os ativismos pessoais. Elas se percebem e percebem a vida de maneira muito mais pura, muito mais clara. Elas enxergam tudo SEM o filtro dos seus conteúdos, dos seus significados e das suas idéias. Elas enxergam o que É!!

segunda-feira, 29 de julho de 2013

O Tatagata

"...Vemos nossa carne e identificamo-nos com nosso corpo. Se alguém diz que nosso corpo não é bonito, ficamos com o complexo de não sermos bonitos. Nosso humor varia e nós nos identificamos com estes sentimentos. Quando estamos tristes dizemos 'Estou triste'. Quando estamos felizes dizemos 'Estou feliz'. Mas nossa verdadeira pessoa não é essas coisas nem algo que está fora delas.

Nós temos nossa verdadeira pessoa, mas não vivemos com nossa verdadeira pessoa, não reconhecemos nossa verdadeira pessoa. Nós só vivemos com as coisas que tomamos por nossa verdadeira pessoa. Vivemos a vida inteira nessa ignorância, pensando que nossos sentimentos e nossa carne são a soma total da nossa verdadeira pessoa. Nossa verdadeira pessoa não está dentro nem fora, não é iludida pelo nascimento e pela morte, por vir e ir, por ter ou não ter, pelo que fazemos ou não fazemos. Quer joguemos xadrez, fiquemos na cama o dia todo ou meditemos a noite inteira, esta não é nossa verdadeira pessoa.

Não podemos encontrar nossa verdadeira pessoa mediante o intelecto ou o raciocínio. Sobre esta pilha de carne vermelha há uma verdadeira pessoa. Quem quer que não tenha visto esta verdadeira pessoa, olhe atentamente. Viva conscientemente. Nossa verdadeira pessoa é nosso próprio Buda milagroso, presente em nossa maravilhosa relação com todas as coisas. Nosso Buda não é nossas cinco skandas, as cinco coisas que compõem um ser humano: forma, sentimentos, percepções, formações mentais e consciência; estas não são a nossa verdadeira pessoa. Nós somos as nuvens, o céu, todos os nossos ancestrais e descendentes. Nossa verdadeira pessoa é uma maravilha. E quando podemos ver isto, nós estamos bem. Ainda temos nossos altos e baixos, mas não nos identificamos com eles, sabemos que somos mais do que isto. Nosso grande êxito é percebermos nossa verdadeira pessoa..."

Thich Nhat Hanh
Trecho de "Nada Fazer, Não Ir a Lugar Algum" - Editora Vozes

Nota: na tradição budista, Tatagata é aquele que vem de lugar nenhum e vai para lugar nenhum. É um nome que o Buda Gautama usava ao referir-se a si mesmo. É o nosso Ser mais profundo e verdadeiro

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Torna-te Totalmente vazio!

Torna-te totalmente vazio.
Permite que o teu coração esteja em paz.
Na torrente das idas e vindas mundanas,
vejo os finais tornarem-se inícios.

As coisas florescem, uma a uma,
apenas para voltarem à Origem.
Ao que se é e ao que será.

Regressar à raiz é encontrar a paz.
Encontrar a paz é realizar o destino.
Realizar o destino é ser constante.

Conhecer a constante chama-se visão.
Não conhecer este ciclo
conduz ao desastre eterno.

Conhecer a constante confere perspectiva.
Essa perspectiva é imparcial.
A imparcialidade constitui a
mais elevada nobreza;
a mais elevada nobreza é o Divino.

Sendo Divino, serás uno com o Tao.
Ser uno com o Tao é o eterno.
Este caminho dura para sempre,
não sendo ameaçado pela morte física.

Tao Te Ching
Verso 16

terça-feira, 16 de julho de 2013

A Cada Momento

A cada momento, o Ser Supremo,
a magia e a beleza do Real, começa a abrir sua flor no interior do nosso ser. Mas os medos e as projeções nascidas da ignorância e da identidade limitada com o corpo, a mente e a personalidade ficam no caminho dessa abertura completa. Uma voz aparece do nada e diz: "Eu não posso me dar ao luxo de viver assim. Eu não posso lidar com uma compreensão tão intensa. É muito poderoso. Se eu acolher isso, eu poderia ficar tão radicalmente transformado que a minha vida iria tornar-se incontrolável e imprevisível. Eu poderia tornar-me demasiado inocente para me proteger. Eu não estou pronto para ser vulnerável. Quem, na verdade, é que está resistindo a tal desdobramento da graça? Saiba que é apenas uma auto-imagem e não o seu ser real.
Mooji - 16 de julho de 2013

sábado, 13 de julho de 2013

Sobre o Domingo, o Tempo e o Mundo Bizarro das Interpretações

Como seria a nossa percepção do tempo se os dias da semana não tivessem nomes? Você já se deu conta de que o domingo só é domingo porque alguém, de maneira mera e puramente convencional, resolveu lhe dar esse nome, ou, em outras palavras, resolveu lhe atribuir um significado? Você se dá conta de que, em algum momento, o domingo devia não se chamar domingo, assim como a segunda-feira não tinha esse nome e o respectivo significado? Como explicar, então, o mal que acomete as pessoas que têm a chamada "depressão de domingo" que, inclusive, já é reconhecida como uma doença pela ciência? E se essas pessoas dormissem por dias a fio, a ponto de perder a noção de tempo, e acordassem em pleno domingo, sem que ninguém lhes dissesse que era domingo? Será que, ainda assim, elas teriam "depressão de domingo"? Você se dá conta de que, neste caso, o que deprime essas pessoas não é o dia de domingo em si, mas sim, um nome totalmente convencional, que se conecta a um significado totalmente convencional?

Note o quanto os nomes e suas respectivas significações se interpõem entre você e a sua percepção da realidade! E, por fim, perceba que toda a sua vida se passa dentro de uma intrincada rede de nomes que, por sua vez, acionam uma complexa hierarquia de significados!